9 de junho de 2010

Qual o melhor compacto?

(08-06-10) – Dias atrás, um amigo, que já havia decidido trocar de carro, me consultou para saber se ele deveria investir o dinheiro dele em um hatchback compacto Premium ou em um médio. “Está aí uma boa dúvida”, respondi a ele. Como estava na época de fechar a pauta desta semana, juntei o útil ao agradável. A resposta para a dúvida do meu amigo com certeza irá responder a de muitos leitores.

Para tanto, elegemos dois bons representantes de cada categoria, com preços similares: O Fiat Punto Sporting 1.8 Flex 8V 5p (R$ 52.404 – tabela Fipe) e o Peugeot 307 Presence Pack 1.6 Flex 16V 5p (R$ 52.800 – site da Peugeot). Tanto o Fiat quanto o Peugeot não sofreram grandes alterações de estilo desde que foram lançados: o Punto em 2006 e o 307 em 2001. Assim, são veículos que já rodam em boa quantidade pelas ruas brasileiras e possibilitam um bom comparativo de custos de manutenção.

Por fora

Sendo o design o primeiro item que chama atenção em um veículo, apesar de o 307 já estar no mercado há quase 10 anos, e o Punto há apenas quatro, ambos são atraentes e apresentam linhas modernas.

Por ser um hatch médio, o 307 é maior do que o Punto, exatamente 182 mm mais comprido e 257 mm mais alto. Porém, é 167 mm mais estreito. Apesar disso, apresenta bitola mais larga. Na dianteira é de 1.505 mm ante 1.471 mm do Punto e, na traseira, de 1.513 mm contra 1.467 mm. A distância entre-eixos também é maior, em quase 100 mm.

As diferenças de dimensionamento externo não são muito grandes, por pouco o Punto não é um hatch médio. Ocorre, porém, que o aproveitamento do espaço interno é bem diferente nos dois modelos.

Por dentro

Quando a Fiat propôs o Punto, tinha em mente fazer um carro de imagem em detrimento ao espaço interno. Nem por isso prejudicou o conforto, muito pelo contrário. O Punto é confortável, porém mais apertado do que o 307.

A posição de dirigir do Punto é um dos pontos fortes do modelo. A versão Sporting e a T-Jet envolvem o motorista de tal forma que quem senta atrás do volante se sente ‘vestindo’ o carro. Os ajustes de regulagem de altura e profundidade do volante e banco são precisos e adéquam de forma excepcional às distâncias de pés e braços, o que possibilita uma condução esportiva e segura.

No 307, ficou claro a posição da Peugeot em oferecer ao motorista o máximo conforto. O modelo também possui regulagem de altura e profundidade do volante e banco, porém o carro não envolve tanto. Cumpre bem o papel, e quem gosta de dirigir em posição mais sentada, vai preferir o francês, pois privilegia a visibilidade. No Punto seria até mesmo interessante a instalação de sensores de obstáculos na frente, para auxiliar em manobras.

Com entre-eixos mais longos, o Peugeot 307 leva a vantagem de oferecer melhor espaço interno e um pouco mais de estabilidade, porém neste quesito (estabilidade) o Punto é mais baixo o que reduz esta vantagem.

Se por um lado o 307 oferece melhor espaço interno, que pode ser traduzido como mais conforto, por outro a versão Sporting do Punto oferece alguns equipamentos opcionais que o 307 na versão Pack desconsidera, como sensor de chuva, crespucular e retrovisor interno eletrocrômico, disponíveis apenas na versão Feline 2.0l, automático, como itens de série. Porém a versão Pack já vem com teto solar item que custa R$ 5.858 no Fiat.

Sob o capô

A Fiat Punto escolhido para este comparativo foi o Sporting, que é equipado com o bom e velho motor 1.8l 8v da GM, que apesar de robusto precisa ser melhorado. Por falar em GM, chama atenção o fato de que a montadora norte-americana, em 2009, retrabalhou quase todos os seus propulsores, com aumento de potência, torque e melhoria no consumo, exceto este, o 1.8l que a Fiat insiste em utilizar em alguns modelos. Coincidência? Duvido.

Mas, trata-se de um motor bom, apesar de ser defasado tecnologicamente em relação a outros, principalmente contra o TU5JP4 (1.6l 16v) da PSA Peugeot Citroën, que desenvolve 110/113 cv de potência a 5.600 rpm e torque máximo de 14,2/15,5 a 4.000 rpm (gasolina/álcool).

O motor da GM utilizado pela Fiat rende 113/115 cv de potência a 5.500 rpm e torque máximo de 18,0/18,5 kgfm a 2.800 rpm (gasolina/álcool). Devemos levar em consideração que o Punto possui um propulsor de maior capacidade volumétrica, por isso os números são melhores, porém, se levarmos em conta que estamos comparando um motor 1.6l com um 1.8l, pode-se perceber que o 1.6l acompanha o 1.8l de perto.

Câmbio

A transmissão dos modelos testados era manual, com cinco marchas à frente e uma à ré. No comparativo da relação de marchas, Punto e 307 estão escalonados de forma muito próxima, sendo a primeira, terceira e quarta marchas do Peugeot um pouco mais curtas do que as do Fiat - 5,8%, 2,1% e 1,7%, respectivamente -, valores quase imperceptíveis ao volante.

Por outro lado, a segunda e a quinta marchas do 307 são 2,5% e 2,6% mais longas do que as do Punto. Na prática, apesar de o motor do Fiat ser mais potente e forte, e disparar com maior rapidez na saída, não fica muito à frente do Peugeot 1.6l e, no final, empatam, pois as 16 válvulas do Peugeot compensam parte da menor potência do motor e, com uma quinta marcha um pouco mais longa, emparelha em 115 cv de potência máxima do Punto.

Em termos de consumo, pela avaliação da relação de marchas e das curvas de torque e potência dos dois motores é possível afirmar que os dois carros apresentam níveis similares, com uma ligeira vantagem para o Punto no ciclo urbano, por apresentar maior torque em menor rotação e ser mais leve, afinal, o italiano é 121 kg mais ‘magro’ que o rival francês.

Porém no ciclo rodoviário, ambos têm comportamento parecido. Em teste realizado com o Punto, abastecido com álcool, a média foi de 10 km/l, em estrada que reunia muitos pontos de curvas, subidas e descidas. Não é excelente mas está muito bom.

Esta diferença de peso é refletida, no entanto, na aceleração. Segundo as fabricantes, o Punto faz de 0-100 km/h em 10,3/10,5 segundos (álcool/gasolina), enquanto a Peugeot informa que o 307 atinge os 100 km/h em 11,7 segundos, partindo da imobilidade. Mas, como todo peso-pesado ganha mais inércia depois de movimentado, a velocidade máxima do francês é de 190 km/h; já o italiano chega apenas a 184 km/h com álcool e 182 km/h com gasolina.

Por baixo

Apesar da diferença de tamanho, Punto e 307 apresentam similaridades no conjunto de suspensão. Ainda assim, a grande maioria dos reparadores sente-se mais confortável trabalhar com o Fiat do que com o Peugeot.

De certa forma, a suspensão do francês é um pouco mais complicada, porém nem tanto. O Fiat traz como vantagem o Portal do Reparador (www.reparadorfiat.com.br) que já conta com todas as informações técnicas do Punto e explicativos passo-a-passo de como realizar a manutenção do modelo, nas versões 1.4l e 1.8l.

Porém, tecnicamente, o Peugeot leva vantagem ao oferecer direção com assistência eletrohidráulica e freios a disco nas quatro rodas. O Punto tem assistência hidráulica e freios a tambor na traseira.
Apesar disso, ambos apresentam sistema de freios ABS de série, porém, durante os testes, os do Peugeot mostraram ser menos estáveis do que os do Punto. Em diversas ocasiões em que foram solicitados, os freios do 307 puxavam de forma bastante agressiva para a esquerda.

Impressões

Com certeza, de todos os comparativos técnicos que já realizei este foi o mais equilibrado. O Punto, apesar de menor, mais apertado, com motor mais defasado tecnologicamente e com um câmbio que não é dos melhores (este câmbio da Fiat nunca foi meu preferido, pela falta de precisão nos engates), é um carro muito interessante, de design agradável, posição de dirigir excelente, ágil no trânsito e confortável.

Por outro lado, ao 307 fica somente a posição de dirigir como ponto a ser melhorado e a inclusão de algumas tecnologias, mesmo como opcionais (ar-condicionado digital, sensores crepuscular e de chuva, entre outros mimos).

Um detalhe que chamou atenção logo nos primeiros quilômetros rodados com o 307 foi a suavidade do motor. Liso, o giro do motor sobe com a naturalidade de um carro que nasceu para andar com o pé em baixo. E assim é o motor TU5JP4 da PSA, muito esperto na faixa entre 3.000 e 5.000 rpm.

Ter de decidir entre um ou outro não é tarefa fácil. Nos quesitos subjetivos, o Punto vence, simplesmente porque agrada mais na posição de dirigir. Sentar no lado esquerdo do carro e depois de ajustar o volante e o banco a impressão é de ter sido abraçado pelo carro. Mas esta é uma opinião pessoal. Para aqueles que buscam sofisticação e tecnologia, o 307 é perfeito.

Manutenção

Um item que sempre evidencia a diferença entre carro compacto e médio é o custo de manutenção, por mais parecido que seja o custo de aquisição, como ocorre com estes dois modelos avaliados.

Segundo levantamento feito pela CINAU (Central de Inteligência Automotiva), a pedido do jornal Oficina Brasil, o Peugeot 307 tem custo médio de aquisição de peças 39% maior do que o Fiat Punto (são 27 itens de maior incidência de troca nos três primeiros anos do veículo). O conjunto de amortecedores e sistema de freios são os que mais chamam atenção. Os amortecedores do Peugeot são 61,3% mais caros do que os do Punto, e a manutenção completa dos freios do 307 é 68,9% mais cara do que no Fiat (a diferença é resultado do custo da tecnologia de freios a disco).

Já nos itens de maior incidência de troca (óleo e filtros de óleo, ar e combustível), o Punto leva vantagem de apresenta custo 30% inferior ao do 307. É importante lembrar que estes valores têm como referencia cotações realizadas em concessionárias, nos balcões de peças.

Avaliação do especialista

A partir desta edição, nosso especialista na preparação de motores apresenta um novo quadro de notas, em que ele avaliará o torque, potencia, transmissão, perde de rendimento em função do aquecimento e nível de ruído em função da carga dos veículos testados.

Com notas de 0 a 10, trata-se de uma avaliação sensitiva e não leva em consideração resistência e durabilidade.

Realizadas as três medições no Punto, sendo que em cada uma delas o motor foi exigido até o corte de injeção, a potência do carro se mostrou a mesma nos três ensaios. Levando em consideração a temperatura de trabalho de 90°C , não gerou nenhum tipo de aquecimento no motor, que ao ser exigido ao extremo, manteve nível de ruído adequado.

Para quem busca um carro para uso diário, urbano, o Punto Sporting é interessante, pois o torque se evidencia aos 2.900 rpm, o que pode ser traduzido em boa arrancada em semáforos e ultrapassagens. A injeção Delphi mostrou excelente desempenho no modelo.

Já o câmbio mostrou ser um pouco curto e, por ser um veículo esportivo, poderia ter como opção um motor 16 válvulas, que traria mais velocidade final com a mesma relação de marchas.

Já o Peugeot 307 apresentou na primeira puxada uma ligeira maior entrega de potência, porém devemos lembrar que neste instante o motor estava em temperatura mais amena em relação às outras duas puxadas realizadas. Mesmo assim o comportamento foi equilibrado e constante em todas. Em movimento, o conjunto powertrain transmite boa confiança em baixa rotação, devido à relação das marchas estar bem casada com o motor. Isso elimina a impressão de falta de força, típica dos 16 válvulas quando em baixos regimes de rotação.

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